segunda-feira, 2 de julho de 2012

Desapego

Meu desapego é um saco!
Vazio e voando no ar.
Um pato feio querendo ser cisne
O cantor desafinado que ama cantar.
Meu desapego é tipo assim...
Meus próprios defeitos sorrindo de mim
Algo que morde e depois me assopra e é
auto-suficientemente dependente de mim.
Ele é o medo da morte e da solidão
A rima previsível da simples canção
É sem sentido, sem apelo e sem emoção.
As asas do pássaro preso na gaiola.
O amanhã que ainda não chegou
aliado ao passado que já passou
Diminuindo a magia
de tudo que está presente aqui e agora.
Meu desapego é chato como a poesia
e é triste como o poeta
É a música que não mais me toca
A dor que já não mais me afeta
Os mil milímetros da métrica cética
E patética das medidas das coisas
e da medida das horas
que passam sempre desapegadas dos dias
que raramente se tingem de alegria
quando o simples prazer
da sua companhia
literalmente
me apavora.

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